sexta-feira, 1 de maio de 2009

Capitalismo x Socialismo

Escrevi esse texto para um amigo socialista para explicar porque eu defendo o capitalismo. Ele foi escrito a 2 anos e não reflete integralmente meu conhecimento atual. Em breve postarei um texto "errata". Entretanto, concordo com 90% do que está escrito, aí vai:

Como já havia dito acho a filosofia do socialismo muito bonita, só a filosofia, e pára por aí. Há basicamente dois motivos que me fazem defender o capitalismo: na prática o socialismo não funciona; e no capitalismo o indivíduo tem liberdade. Só para conluir essa introdução, devo dizer que “filosofia” não é algo atrelado à sociedade, mas algo individual, sendo possível que qualquer pessoa bem intencionada trabalhe em prol da sociedade (inclusive no capitalismo), ou que qualquer um simplesmente não trabalhe (no socialismo), aliás, cabe o comentário de que trabalhar para sí próprio não é errado.

Por que o socialismo não funciona? A resposta para essa pergunta não é simples, mas posso tentar responder fazendo alguns questionamentos mais: como obrigar um indivíduo a trabalhar quando este sabe que não importa quanto suor for empregado, o fim será sempre o mesmo? Enquanto Pedro, o trabalhador, faz em suas 8 horas diárias um trabalho impecável, impenhando-se em sua função, seu colega Rogério faz um trabalho porco, de 4 horas por dia, e no final...

Isso me lembra uma história. Esta semana, enquanto aguardava o Gabriel fazer a prova de física do ITA, econtrei um amigo. Ele me disse que seus pais eram, os dois, fiscais da receita. Logo brinquei dizendo que teriam uma “vida boa”, tranqüila, sem trabalho. Ele se defendeu e eu me surpreendí com sua argumentação:

Primeiro ele explicou que o trabalho de fiscal consiste de verificar o orçamento de alguns setores do governo em diversas cidades, ou seja, o trabalho é basicamente ficar viajando pelo Brasil a procura de rombos na receita. Muito bem, daí ele falou que seus pais trabalhavam muito, e que esse trabalho era realmente cansativo. Então perguntei: já que é um trabalho tão intenso, onde nasceu esse boato de que fiscal da receita não trabalha? Ele respondeu que a cada período de uma semana (não sei se é isso, ou se é a cada 4 dias, não faço idéia) o fiscal é responsável por ir em um dado lugar e fazer as devidas verificações, mas o que acontece é que, como é trablaho demais (muito mesmo), é muito mais fácil para o fiscal chegar na cidade e simplesmente preencher o formulário dizendo que está tudo bem, que são todos honestos, etc. Daí ele já pode relaxar, passear e, quem sabe, com um pouco de “sorte”, ainda recebe uma propina e compra um carro novo.

E não foi só essa história, certa vez fazendo o percurso Rio de Janeiro – São José dos Campos conhecí uma mulher que era servidora pública, e disse a ela que eu estava pensando seriamente em fazer concurso público já que é um trabalha onde se ganha bem e se trabalha pouco. Mais uma vez fiquei surpreso, ela disse que na verdade eles estão sobrecarregados, e o que acontece é que há poucos lá dentro que realmente trabalham muito, e outros muitos que são verdadeiros parasitas, que não fazem nada.

Assim acho que já posso responder àquela pergunta: simplesmente numa sociedade assim, a massa não trabalha, só enrrola. É do ser humano, a grande maioria só funciona sob pressão, da mesma forma que só são bonzinhos porque há coersão do sistema. Isso só vem a confirmar o que a história já nos falou ao longo do século XX.

Tenho que concordar que a fome em massa ocorreu na maioria dos países, sejam eles capitalistas ou socialistas, mas há uma diferença básica no porquê dela acontecer em cada organização: no capitalismo o motivo é político, má administração (entenda-se: corrupção), mas algo superável (a exemplo de Suécia, Noruega, Japão, e outros); mas no socialismo o problema é a falta de comida propriamente dita (escassez de alimentos) devido a falta de estímulos à evolução tecnológica dos meios de produção, e a falta de motivação no trabalho.

Esse problema não é exclusivo da fome, mas em todos os setores (bens de consumo, higiene, logística, etc...). Lê esse parágrafo que encontre no livro do Aquino (História das sociedades, em minha opinião um livro que defende o socialismo e só faz criticar o capitalismo):

“Um a um foram caindo os regimes estalinistas do Leste Europeu: terminou o monopólio político dos Partidos Comunistas, eleições livres começaram a ocorrer, reformas econômicas foram realizadas atendendo à crescente pressão popular, manifestada através de passeatas, comícios e greves de protesto por melhores condiçõe de vida e maior garantia às liberdades individuais.”

[Regime estalinista = socialismo real]

Só para te situar, esse paragrafo vem logo depois do livro dizer que no governo Gorbachev, da URSS, esta retirou suas tropas dos países do Leste Europeu, bem como reduziu o fornecimento de armamentos na esfera do Pacto de Varsóvia, alegando que “cada país tem o direito de seguir seu próprio caminho rumo à democracia socialista”. Com isso ela diminuiu sua influência socialista nesses países que, vendo-se em situação ruim, foram abandonando esse modelo um a um.

Enquanto nos EUA Henry Ford fabricava carros a uma taxa espantosa (em média fazia um carro a cada 98min) víamos na URSS e em todo o bloco socialista um sucateamento da indústria. Agora entramos em outro tópico sobre o qual gostaria de comentar: seriam as grandes empresas, bem como as multinacionais, maléficas ao mundo? Ou, em particular, seriam elas maléficas ao "invadir" o mundo subdesenvolvido?

Fui pesquisar no livro do Aquino e, como esperava, ele fala que essas multinacionais são a causa do subdesenvolvimento, pois são a forma de imperialismo do novo mundo. Mas, afirmações a parte, o que vejo é que quando uma grande montadora (tomemos como exemplo uma montadora da General Motors, dos EUA) chega a uma cidade ela emprega milhares de pessoas, além de promover a qualificação da mão de obra local.

Como seria possível que tanto a multinacional quanto a cidade onde ela se instala ganhem? A lógica funciona assim: fica muito mais barato, em termos fiscais e de mão de obra, que a GM instale sua montadora aqui do que se ela o fizesse no seu país natal. Mão de obra será um gasto necessário, a questão é se a multinacional vai gastar pouco aqui no Brasil ou arriscar a falir lá nos EUA. Não obstante há grandes movimentos nos EUA que reclamam por causa dessa saída de grandes empresas americanas para países como o México e o Brasil. Acho a discussão importante porque nesse livro do Aquino ele só faz afirmações vazias, criticando as multinacionais, idéia que se espalha pela população junto com o anti-americanismo, idéias com as quais não concordo.

Um único argumento que o livro diz é o de que com a entrada dessas empresas aqui no Brasil, os brasileiros acabam impedidos de tentar desenvolver esse tipo de tecnologia e acabam dependentes dessas nações. Mas posso contra-argumentar dizendo que o subdesenvolvimento tecnológico brasileiro não é originado pela entrada desses conglomerados no país, mas pelo descaso do goveno para com a área tecnológica e da educação. Ou será que quando essas indústrias vieram para cá havia algum esforço do governo para desenvolver aqui esse tipo de tecnologia? Um exemplo que sempre gosto de expor é o do próprio ITA. Há 70 anos atrás o marechal Casimiro Montenegro Filho idealizou uma indústria aeronáutica brasileira. O primeiro passo foi a criação do ITA por volta de 1950, e depois a desejada (e já esperada) criação da Embraer em 1969. Isso sim é esforço nacional para desenvolvimento de tecnologia, hoje a Embraer é a terceira maior indústria,do setor, no mundo, atrás da Boeing e da Airbus.

Bem, agora vou entrar naquela segunda questão que foi proposta cruamente como sendo: no capitalismo o indivíduo tem liberdade. Primeiramente, em todos os lugares que pesquisei ví o socialismo relacionado a idéias de censura e monopartidarismo. Não sei se são idéias do socialismo (não encontrei em lugar nenhum dizendo diretamente que todo socialismo deve seguir essa linha, mas pelo que ví foi o que aconteceu), mas são crimes à humanidade. Lí um texto que dizia que, em geral, os socialistas defendem uma idéia de Platão que diz que poucos são os indivíduos capazes de enxergar a verdade, verdade esta que nos levaria a felicidade, e esses indivíduos tem a obrigação de impor, mesmo que com a força, suas idéias sobre as pessoas para o "próprio bem delas". Não é difícil perceber o quanto essa idéia é absurda, uma vez que tirando a liberdade das pessoas é impossível que elas atinjam a felicidade, portanto a idéia se contraria (já que a proposta inicial é alcançar a felicidade) e portanto está errada. Acho que censura e monopartidarismo têm tudo a ver com essa teoria de Platão, e, portanto, são todas erradas; elas estão em disacordo com a liberdade dos indivíduos e, portanto, contrárias ao seu bem estar, sua felicidade.

No capitalismo o cidadão tem a liberdade de escolher tanto onde trabalhar, como o quanto trabalhar. De forma que suas atitudes irão refletir no seu reconhecimento e no seu conforto. Você pode escolher trabalhar 6h por dia, ou trabalhar 14h, mas aquele que trabalhar 14h terá direito a mais regalias (justo não?). Além disso, aquele que se empenhar mais no trabalho será beneficiado em relação àquele cujas metas são inferiores. Se você estiver insatisfeita com seu trabalho você pode simplesmente sair (se demitir) mas arcará com as conseqüências, terá que arrumar outro emprego. Me parece tudo justo.

Você deve estar pensando: que escolha/opção teve aquela pobre pessoa que trabalha suas 12h por dia (quase um trabalho escravo), trabalho de peão, para ganhar aquela mixaria? Mas eu te digo que isso acontece aqui por causa da má administração, corrupção do governo brasileiro. Você diz que o governo é compelido a fazer tais injustiças por causa da pressão dos grandes burgueses que defendem o sistema, pois nele eles possuem regalias. Mas penso que cada um é responsável pela sua alma, o governo é o culpado de se submeter a tais propostas, e são, portanto, a mácula da sociedade.

A elite sempre encontra meios de se beneficiar do poder, não importa o sistema. Dessa forma, mesmo no socialismo acontecem problemas dessa natureza. No capitalismo a elite se vende àqueles que têm dinheiro (os grandes empresários), no sociallismo ela desfruta de regalias do mesmo jeito (possuindo mansões, carros, ou que houver de mais moderno, enquanto o povo sofre tendo que esperar por sorteios e outras formas de se distribuir os bens de consumo). Se não houver comida suficiente pode ter certeza que a elite não vai abrir mão de sua cota caprichada, se houver poucas roupas finas estas serão da elite, se o país produz 1.000 carros por mês a elite terá os dela, e está bom assim, para que produzir mais? E assim vai, não tem como fugir.

Chegando numa terceira questão (não citada na introdução), no socialismo o governo tem que prever que áreas merecem atenção/investimento, o que é uma atividade difícil e sujeita a muitas variáveis (portanto sujeita a erros que podem custar a vida das pessoas ou o seu conforto). Já no capitalismo a sociedade se auto regula, se há necessidade de gráficas, certamente haverá quem perceba e abra uma gráfica, se em tal lugar não se tem onde comer então haverá uma barraquinha de cachorro-quente lá, se há muitos postos de combustível conseqüentemente alguns vão falir e seus trabalhadores irão para outras áreas de necessidade, se existe um produto que gera inconvenientes haverá uma empresa que inovará melhorando sempre a qualidade dos produtos no mercado. No capitalismo compensa que a produção seja mais barata, mas rápida e que os produtos sejam de boa qualidade, já no socialismo não há razão para que se faça qualquer uma dessas evoluções (exceto rapidês de produção devido a necessidades do povo, veja, necessidades apenas, não confortos, e ainda chegamos à questão de como fazer o trabalho ser mais eficiente no socialismo?). Na própria agricultura, há toda uma preocupação na mecanização do campo para suprir a demanda do mercado (em outras palavras, alimentar a todos) e baixar o preço para vencer a concorrência (melhor para os consumidores também).

Assim concluí que o socialismo carece de qualquer tipo de conforto, e mesmo em termos de subsistência (alimentação, vestimentos, higiene) esse sistema deixa a desejar. No capitalismo o indivíduo ganha pelo que trabalha, é reconhecido na medida de seu merecimento; esse sistema estimula o avanço da sociedade em termos de produção,conforto e liberdade. As pessoas não são iguais, nunca serão iguais, mas se tem uma coisa que todas elas merecem, independente de suas diferenças, é liberdade e reconhecimento pelo seu trabalho.

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