sexta-feira, 29 de maio de 2009

E se fosse a última vez?

Final do dia. Hoje foi um dia cheio, o trabalho foi cansativo, foram horas intermináveis de um raciocínio forçado, e sob um ambiente "hostil" de obrigação. Finalmente chega a hora! Arrumo as minhas coisas e... estou livre. Livre para pensar novamente.

Chego em meu apartamento. Não tenho muito tempo, já é noite, mas esse relaxamento é imprescindível. Eu quero é parar e não fazer nada em frente à TV... sim, ela faz parte da minha meditação.
Sento-me no sofá... Não! Deito-me no sofá... Pego o controle remoto e...

trim...
trim...
triiiiimmmmmmmm...

"Deus tenha piedade", por que eu não comprei aquele telefone sem fio? Mas vamos, levante-se, pode ser importante.

Não, não é. É a minha mãe.

"Alou", "oi mãe, tudo bem, e você?", "já jantei sim", "comi", "eu não como mais aquelas porcarias", "ah, mas você sabe que a situação não está muito boa", "vou sair sim", "não mãe, prometo que não vou beber muito", "mãezinha, quantas vezes você já me viu bêbado", "então, eu nã..", "está bem", "aham", "eu me cuido, você sabe disso...", "mãe, eu trabalho...", "certo", "eu lembro sim mãe, mas", "eu sei...", "não vou esquecer", "deixa a joaquina em paz...", "claro que não mãe..." [...]

Achou familiar? Acontece nas melhores famílias, aliás, quanto melhor e maior a família, mais comum. A vontade que se tem é a de não atender mais, ou de dar uma lição de moral e não ter que aguentar mais isso. Já pensei seriamente em fazer isso...

Nós temos tendência a não termos muita paciência com as pessoas que mais nos amam. Aquelas que vão gostar de nós quase que de qualquer jeito. Nossos pais, nossa esposa, nossos irmãos, avós, filhos.

Agora eu quero que você pare sua "leitura dinâmica", leia vagarosamente e imagine a seguinte situação:

Imagine que (como no filme "Click") seu pai viesse te chamar para um dia só de vocês, afinal, vocês se vêem tão raramente... conversar então, desde que você era muleque. Imagina que, no final daquele dia, ele morrerá inevitavelmente. Seria o último dia dele.
Como se sentiria se o ignorasse?

Agora, imagine-se numa situação como aquela do texto, com a sua mãe no telefone, mas com uma diferença: você sabe que, assim que puser o telefone no gancho, sua mãe morrerá, e você não falará mais com ela. Não terá outra oportunidade de dizer: "mãe, aconteça o que acontecer, saiba que eu te amo muito, eu sempre te amei."
Como se sentiria?

O amor é o que temos de mais valioso na vida, não deixe que o seu trabalho ou estresse tirem de você o que mais importa: aqueles pequenos momentos com as pessoas que mais te amam, e vice versa.

Porque "e se fosse a última vez"?
...um dia será.

Um comentário:

Rafael disse...

Realmente, precisamos nos lembrar dos momentos que realmente importam. No stress e no nosso egoismo podemos esquecer.